VIDEO - CAP. I - ARTIGO 1 - Análise Gráfica: Técnica do Ponto e Figura
- rffundamento
- Dec 13, 2025
- 5 min read
Uma abordagem detalhada para compreender e utilizar a técnica do ponto e figura no mercado financeiro
A análise gráfica, também conhecida como análise técnica, é uma das ferramentas mais antigas e consagradas para tomada de decisões no mercado financeiro. Entre os diversos métodos de representação gráfica, destaca-se a técnica do ponto e figura, que, apesar de menos popular que os gráficos de barras ou candles, possui características únicas que a tornam valiosa para analistas e investidores que buscam identificar tendências de preços e pontos de reversão.
O que é a Técnica do Ponto e Figura?
A técnica do ponto e figura é um método de plotagem gráfica que se concentra exclusivamente nas variações relevantes do preço de um ativo, ignorando completamente o fator tempo. Ou seja, ao contrário dos gráficos tradicionais em que cada barra ou candle representa um intervalo temporal fixo (como minutos, horas ou dias), no ponto e figura uma nova marcação só é feita quando o preço atinge um determinado patamar de oscilação.
O gráfico é construído em uma grade, geralmente de papel quadriculado ou em plataformas digitais, preenchida por colunas de “X” e “O”. Os “X” representam movimentos de alta (valorização do ativo), enquanto os “O” indicam movimentos de baixa (desvalorização). Cada coluna contém apenas um dos símbolos e as colunas alternam-se à medida que ocorre uma reversão significativa de tendência.
Histórico e fundamentos
O método do ponto e figura tem origens que remontam ao início do século XX, sendo mencionado em publicações clássicas sobre análise técnica. Inicialmente, era feito manualmente em cadernos ou quadros, pois não dependia de tecnologia avançada. Com o passar do tempo e a difusão de plataformas digitais, essa técnica ganhou mais praticidade e visibilidade, embora permaneça fiel aos seus princípios fundamentais de simplicidade e foco na tendência.
A grande sacada do ponto e figura está na clareza com que evidencia as tendências e elimina o “ruído” dos movimentos de preço pouco significativos, filtrando pequenas oscilações que poderiam gerar confusão ou falsas interpretações sobre a real direção do mercado.
Como funciona o gráfico de ponto e figura
A construção desse tipo de gráfico segue regras específicas:
· Tamanho da Caixa (Box Size): É o valor mínimo (em pontos, centavos ou porcentagem) que o preço do ativo deve variar para que seja registrada uma nova marca (“X” ou “O”). Por exemplo, se o tamanho da caixa for de $ 1,00, só haverá atualização no gráfico quando o preço subir ou cair pelo menos $ 1,00 em relação ao último registro.
· Reversão: Para que ocorra uma reversão (mudança de coluna), o preço precisa mexer-se na direção oposta ao movimento corrente por um valor igual ou superior a um múltiplo do tamanho da caixa — normalmente, utiliza-se o triplo do tamanho da caixa. Por exemplo, se a caixa é de $ 1,00 e a reversão está definida como 3 caixas, o preço precisa recuar ou avançar pelo menos $ 3,00 para justificar uma nova coluna do símbolo oposto.
· X e O: Os “X” são anotados verticalmente em colunas para indicar altas consecutivas; quando ocorre a reversão, inicia-se uma nova coluna de “O” ao lado, para registrar baixas, e assim sucessivamente.
· Ignora o tempo: Não importa quanto tempo se passe entre marcações — o gráfico só avança ao registrar movimentos relevantes do preço.
Como configurar um gráfico de ponto e figura
A configuração de um gráfico de ponto e figura pode ser feita manualmente ou por meio de plataformas digitais especializadas. O processo básico inclui:
1. Escolher o ativo e obter um histórico de preços: Pode ser um gráfico diário, intradiário ou semanal, dependendo do objetivo do investidor.
2. Definir o tamanho da caixa: Um valor absoluto (como $ 1,00) ou percentual (por exemplo, 2% do preço do ativo).
3. Definir o critério de reversão: Normalmente, utiliza-se o critério de três caixas.
4. Começar a plotagem: Iniciar a primeira coluna de “X” se o preço subir em relação ao ponto inicial, ou de “O” se cair. Adicionar um novo “X” ou “O” para cada novo movimento igual ao tamanho da caixa. Só iniciar uma nova coluna quando houver reversão conforme critério estipulado.
Exemplo prático de construção
Suponha que uma ação esteja cotada a $ 50,00, com tamanho de caixa de $ 1,00 e reversão de 3 caixas. Considere a seguinte sequência de preços de fechamento: $ 51,00, $ 52,00, $ 53,00, $ 52,00, $ 51,00, $ 50,00, $ 49,00.
· De $ 50,00 para $ 53,00, a ação subiu $ 3,00, então vamos marcar três “X” em uma única coluna.
· Ela cai para $ 52,00 e $ 51,00 — ainda não inicia reversão, pois precisa de queda de $ 3,00.
· Ao atingir $ 50,00, registrou queda de $ 3,00 ($ 53,00 para $ 50,00), inicia-se uma nova coluna de “O” ao lado.
· Se cair para $ 49,00, adiciona-se mais um “O” nesta coluna.
Esse processo continua compondo o gráfico de acordo com os critérios definidos.
Vantagens da técnica do ponto e figura
· Foco na tendência: O gráfico destaca apenas as oscilações que realmente importam, tornando os movimentos de tendência mais evidentes e fáceis de visualizar.
· Redução de ruídos: Pequenas volatilidades que podem confundir o investidor são filtradas, permitindo que se veja com clareza o comportamento predominante.
· Simples interpretação de suportes e resistências: O ponto e figura facilita a identificação de níveis importantes de suporte e resistência, além de padrões gráficos clássicos (como topos duplos, fundos duplos, triângulos, etc.).
· Facilidade na definição de pontos de entrada e saída: As reversões de coluna sinalizam potenciais pontos de compra ou venda, tornando a tomada de decisão mais objetiva.
· Aplicação a qualquer ativo: Pode ser utilizado para ações, moedas, commodities e diversos outros instrumentos financeiros.
Desvantagens e limitações
· Parâmetros dependem de julgamento: A definição do tamanho da caixa e do critério de reversão pode ser subjetiva e variar conforme o perfil do investidor ou o comportamento do ativo.
· Não registra volume nem tempo: Como ignora o tempo, eventos importantes ou períodos de grande volatilidade podem ser “mascarados” pelo gráfico.
· Menos conhecido: Por ser menos popular e pouco abordado em materiais de treinamento, muitos investidores deixam de aproveitar seus benefícios.
Padrões e sinais no ponto e figura
Assim como outros tipos de gráficos, o ponto e figura também permite identificar uma série de padrões gráficos que auxiliam nas tomadas de decisão. Entre os mais comuns:
· Topo duplo (Double Top): Ocorre quando duas colunas de “X” atingem o mesmo nível de preço sem que haja rompimento, sugerindo resistência.
· Fundo duplo (Double Bottom): Duas colunas de “O” atingem o mesmo nível, indicando suporte.
· Quebra de resistência: Quando uma coluna de “X” supera o topo anterior, indicando possível continuação da alta.
· Quebra de suporte: Quando uma coluna de “O” ultrapassa o fundo anterior, sinalizando possível continuidade da baixa.
· Triângulos, retângulos e outros padrões: Podem indicar momentos de consolidação e possíveis rompimentos futuros.
Considerações Finais
O gráfico Ponto e Figura representa um elo fascinante entre tradição e modernidade na análise técnica. Apesar de ter mais de um século de história, sua lógica continua relevante e eficiente para a leitura dos mercados financeiros. Com o avanço da tecnologia, o P&F segue sendo uma poderosa ferramenta, tanto para iniciantes quanto para profissionais, oferecendo uma abordagem clara, objetiva e eficaz para a identificação de tendências, projeção de preços e gestão de riscos.
A compreensão profunda do histórico, funcionamento e aplicações do gráfico Ponto e Figura pode ampliar significativamente o repertório de qualquer analista técnico, favorecendo decisões mais assertivas e bem fundamentadas no mercado financeiro.
Quando utilizado de forma criteriosa e em conjunto com outras análises, amplia a compreensão dos movimentos do mercado, propiciando um melhor retorno em sua estratégia de investimento
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